construindo o presente


A necessidade de Deus

Contribuição para o grupo Religião, Fé e Psicanálise:

A necessidade de Deus

Reflito sobre uma frase de Georges Battaille (O Erotismo, 1957): “O homem saiu da animalidade trabalhando, sabendo que morria e, deslizando de uma sexualidade sem vergonha para uma sexualidade envergonhada.” Saiu, portanto para o desamparo, para a angústia e para o desejo.
Saiu para o desamparo de não ter todas as suas necessidades supridas pela vida no paraíso, no útero, ou no nada que antecede a vida – ganharás o pão com o suor da tua testa; saiu para a angústia de saber-se mortal, desconhecendo a essência do ser e do nada, e também o momento do encontro com o si mesmo; e saiu para o desejo, para o desejo do desejo do outro, sempre misterioso e quase tão icognoscível quanto o próprio ser e a própria morte.
A idéia de Deus, portanto, é a idéia da possibilidade de retorno ao paraíso perdido, onde não há desamparo e nem angústia, e o desejo se realiza em si mesmo e no outro, simultâneamente, fazendo do singular o universal, da parte o todo; Deus é a nostalgia da perfeição, é a saudade da verdade absoluta.
Entendo a necessidade de Deus como o ideal da hospitalidade, do amparo, da ausência de angústia e, da presença do desejo subsumido. A necessidade de Deus é a necessidade de ser um com Deus; de transformar a imperfeição na perfeição, o profano em sagrado, a prisão em liberdade, a inveja em amor e gratidão, o ser que não é naquele que é.



Escrito por Gustavo A J Amarante às 11h30
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19/03/2016

Não faz muita diferença, do ponto de vista que me chama a atenção, se os manifestantes de ontem eram "o povo" ou eram militantes, do mesmo modo que não faz diferença quem estava na Avenida Paulista no domingo. O que eu vi foi, ao contrário do que dizem por aí, que o povo brasileiro, militante ou não, está maduro para a democracia. Milhões de pessoas sairam às ruas para defender posições diferentes, e exceto algum episódio pontual e isolado, tudo transcorreu de modo pacífico. Haviam muitos, de um e outro lado, pedindo ou exigindo algo que diz respeito aos dois lados: respeito às leis, igualdade diante da lei, combate à corrupção, inclusão social, redução da desigualdade, reforma do modo de se fazer política, melhora na representatividade dos eleitos, punição aos culpados independentemente de partidos, entre outras demandas. O povo, de verde e amarelo ou de vermelho, manifestou-se de modo a dar um exemplo a seguir para toda a nossa classe política, um exemplo de civilidade. Há luz no fim do túnel.


20/03/2016

Lendo o jornal nas últimas semanas vejo que a guerra das certezas continua e escala patamares cada vez mais agressivos, cada lado com a sua verdade incontestável. Chama a atenção que apenas os colunistas mais jovens, o Antonio Prata e o Gregório Duvivier por exemplo, parecem ainda abrir espaço para a dúvida e para o questionamento. Os 'grandões' tomaram partido e chega a ser cômico o confronto de seus argumentos, sempre iguais e de sinais opostos. Hoje, o Prata nos brindou com uma dura realidade, esta sim incontestável, quase escondida no final de sua coluna, "Não é tão vermelho ou amarelo" (Cotidiano, 20/03/2016): sempre há os que sofrem, os deserdados, os desamparados, os desesperançados - "...parou diante de nós uma menininha de uns seis anos, descalça, com a cara toda suja: "Compra bala, tio? Compra bala senão minha mãe não deixa eu ir pra casa. Compra?"


01/04/2016

É digno de comemoração e celebração que ainda haja uma esquerda pensante e que se manifesta abertamente na grande imprensa. Hoje o Vladimir Safatle (Não haverá mais conciliação, Ilustrada) foi quase irretocável. A elaboração sobre legalidade e justiça foi perfeita, e seguramente mereceria outras colunas para o seu aprofundamento. Já dentre os três argumentos apresentados como fatos que surrupiam a legitimidade do impedimento, considero o primeiro como uma obviedade primorosa e inquestionável, mas há que se lembrar que todos esses senhores foram eleitos pelo povo, que ainda não conquistou o direito de "recall" eleitoral, e estão lá, na comissão do impedimento, com o aval do Supremo Tribunal Federal, conforme as regras, auto-preservantes, da casa. O segundo e o terceiro argumentos parecem sugerir que os erros passados e/ou os erros dos outros, tornam os erros do atual governo passíveis de desconsideração. Há ainda uma contradição interna no terceiro argumento, isto é, se Temer não pode ser empossado por ter cometido os mesmos erros que Dilma, então como sustentar a permanência da presidente?
Os apoiadores do governo afirmam, com razão, que sem crime de responsabilidade não pode haver impedimento; o outro lado afirma ter havido crime de responsabilidade; e finalmente, nossos juristas parecem não concordar em nada, trazendo confusão e irritação para ambos os lados. Este é um momento difícil. Que seja observada a lei e que a lei sirva à justiça, assim haverá, sem dúvida, reconciliação.

10/04/2016
Caro Clóvis, sobre o seu "No último circulo do inferno" só me resta lembrar-lhe que no fundo do poço há sempre um alçapão. Ao Janio, com sua "Lição da escola", gostaria de dizer que a ponderação é bem vinda, mas que a frase, "Mas Janot invocou-se também com "as circunstâncias anormais da antecipação da posse" de Lula. É claro que se tratava de proteger Lula de novas exorbitâncias." e a conclusão de sua coluna, ainda traem a sua incapacidade de realizar o luto pelas perdas representadas pelas ações de alguns em detrimento de uma idéia que sem dúvida é boa, a saber, aquela que visa à redução das desigualdades. E, finalmente, gostaria de agradecer ao Prata, com sua "Carta pro Daniel", que me levou às lágrimas, por ter tornado o meu dia muito melhor; ainda há motivos para alegria em meio a esta orgia de politicagem nefasta que nos assola.
Mesmo com alguns equívocos, sempre apontados pela ombudsman (ombudswoman), a Folha de São Paulo continua a ser o jornal mais plural do mercado. Seus colunistas, de todos os vieses, constituem uma luz no fim do túnel.

12/04/2016
Não faz a menor diferença se foi por engano ou proposital, o audio "vazado" do vice presidente. Se foi por engano, o sujeito é distraido demais para o cargo; se foi proposital, o sujeito é intempestivo demais para o cargo. De qualquer forma, o que se vê é que o Temer é uma temeridade, e assim fica muito difícil ver nele uma opção, mesmo uma opção ruim, para dar seguimento à este des-governo que aí está. E que os deuses tenham piedade de nós.

15/04/2016
Para mim tanto faz quem será o presidente na segunda-feira. Por outro lado, me preocupa muito os tais pactos aludidos tanto pela presidente como pelo seu vice, caso venha a assumir a presidencia. Teremos mais do mesmo ou qualquer dos dois terá a coragem para ser estadista? Continuaremos na velha cantilena do aumento de impostos e seus sucedâneos malignos, principalmente para os mais pobres, ou haverá alguma criatividade, uma solução diferente? Haverá ajuste do tamanho do estado, profissionalização dos cargos públicos, impostos ajustados para a renda, poupando os salários, impostos incidindo sobre os que não pagam, vigilância e punição aos sabidos de sempre? Ou, para nossa desgraça, continuaremos no caminho das soluções que nada solucionam, ou que socializam o custo, tornando os mais pobres mais pobres e os mais ricos mais ricos?

25/04/2016
Fernando Haddad persiste terceirizando os erros do seu partido, o PT, no qual votei diversas vezes, recusando o reconhecimento dos problemas que os afligem e, assim, castrando as possibilidades de reconstrução de uma proposta progressista e dando margem a um conservadorismo que preferíamos mais contido. Não há dúvida de que inúmeros fatores contribuíram para a atual crise do governo, tais como alianças frouxas calcadas em interesses paroquiais e por vezes escusos, representação pífia, legislação incompreensível, promiscuidade entre o público e o privado, financiamento duvidoso de eleições, excesso de marketing, falta de planejamento e metas para o país, e por aí vai; mas do lado do governo, o erro foi mesmo mentir para a população e a seguir pedir-lhe para pagar a conta dos erros que se acumularam, incluídos nesse grupo os enormes escândalos de corrupção. Os ganhos sociais estão ameaçados, de fato, por esses erros e por esse erro maior, a mentira de pernas muito, muito curtas.

30/04/2016
Ainda nem começou e já começou mal (Sob pressão, Temer reduz meta de cortar ministérios). Como era de se esperar, o "novo governo" já dá sinais de repetir os mesmos erros de sempre: acomodar supostos aliados em ministérios superfluos e também, porque que não supor, em outras instâncias do estado. A governabilidade, esta justificativa espúria para uma política clientelista e corrupta, já seduz os corações e mentes dos que falam muito em reformas e mantém insistentemente apenas as formas, arcaicas, ilegítimas, prejudiciais ao país. Assim confirma-se que o governo Temer alude que será mais do mesmo que combate e acusa.

06/05/2016
Ilustrativa a polêmica do Contardo e do Marinho (Tréplicas): de um lado o império das incertezas e do outro a primazia das certezas absolutas; de um lado o pensamento voltado para o abstrato e para o singular, do outro, os números torturados para propósitos definidos. Lembrei-me de um discurso de Thomas Mann aos alemães em 1943, no qual dizia que a verdade, dependendo da boca que a enuncia, transforma-se em mentira.

10/05/2016
O prefeito Fernando Haddad conquistou uma quase unanimidade rara na nossa cidade, ao lado de Celso Pita e do Gilberto Kassab. Os dois últimos abandonaram a cidade para tocar projetos pessoais e constituíram-se nos piores prefeitos que São Paulo foi obrigada a suportar. Haddad governa erraticamente, agradando pequenos grupos específicos, e também deixando a cidade à sua própria sorte. Diferentemente de seus colegas, ele será, mesmo rejeitado, lembrado pela história como o prefeito de uma única medida correta. Não, não foi o Uber e nem as ciclofaixas, e nem mesmo o fechamento da Avenida Paulista; a medida corajosa e correta foi a redução da velocidade dos automóveis dentro da cidade, medida civilizadora e que vem salvando vidas. Esta medida foi redentora para ele e penso que talvez seja o seu maior capital político - o prefeito ruim que salvou vidas.

22/05/2016
Eu consigo entender os calculos e as contas que se apresentam; eu consigo compreender a urgência do tema, mesmo considerando as inúmeras outras urgências que se impõem. O que me fica como dúvida é se nesta reforma estará incluída a mudança nas aposentadorias dos poderes executivo, legislativo e judiciário, ou se para eles tudo fica na mesma: possibilidade de aposentadoria após dois mandatos, aposentadoria integral, possibilidade de se acumular aposentadorias, e assim por diante. Se vamos nos sacrificar, então que o sacrifício seja de todos, e não dos mesmos de sempre, os trabalhadores e pagadores de impostos.

02/06/2016
Pensei em alguns adjetivos para a pauta bomba aprovada pelo congresso, a saber, o aumento do funcionalismo e o consequente rombo nas contas públicas, mas percebi que seriam impublicáveis. Assim, para adjetivar educadamente esta total desconexão entre servidores públicos (seriam mesmo servidores, e públicos?) e o público pagador de impostos em geral, ocorre-me: falta de vergonha na cara, desonestidade no trato com a coisa pública e com o público, indiferença para com o outro (sendo o outro apenas todo o contingente dos habitantes do país), irresponsabilidade diante do momento crítico, arrogância por se acharem superiores aos demais e isentos dos sacrifícios que impõem à nação, prepotência ao pensarem que vamos todos nos calar diante do descalabro (aguardem as eleições), estupidez por não se darem conta do estrago que causam a si mesmos e aos demais, ganância por não se satisfazerem com os salários e benefícios já iníquos que recebem, e vou parar por aqui, porque agora começam a me pressionar novamente os adjetivos impublicáveis.
Senhor Temer, recolha o seu aplauso, honre o seu cargo, e vete esta barbaridade.

11/06/2016
Sempre impecável o Vladimir, pontual, claro, lúcido. Arrisco-me a complementar o seu texto de sexta-feira, observando que grande parte da culpa pela manutenção da "crise continua" que evita a crise propiciadora de mudança é dos pensadores. Estranho? Nem tanto. Vivemos há séculos sob a égide de um único sistema econômico e suas variações, a saber, o capitalismo em suas versões capitalismo  privado e capitalismo de estado. Não há proposta de outro sistema, apenas tentativas frustradas de domesticação de um sistema de construção e manutenção do poder de uns poucos em detrimento da maioria. Sabe-se que o capitalismo é muito eficiente para a geração de riquezas, do mesmo modo que se sabe que também é inquestionável a sua capacidade para gerar desigualdades progressivamente mais profundas.
De minha parte, gostaria de poder propor uma novidade, mas não sou do ramo da economia. Por outro lado, educação de boa qualidade e universalizada, que ensine a pensar e a aprender, que contemple a diversidade e a pluralidade da vida humana, que não se omita na elaboração de perguntas e não se satisfaça com respostas fáceis, configure-se numa possibilidade futura de mudança real.


Escrito por Gustavo A J Amarante às 10h49
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Cartas para o Painel do Leitor da Folha de São Paulo. Umas publicadas, outras não; e vamos seguindo...
10/02/2016
Acertaram muito bem o colunista Clóvis Rossi e o leitor José Costa Júnior, respectivamente o autor da coluna de 07/02 "Uma guerra civil estúpida" e um missivista do Painel do Leitor. Também observo, na midia em geral, e no debate privado em particular, o mesmo achado do estudo do Pew Research Center: "Muitos, em cada partido, negam, agora, os fatos dos outros, desaprovam o estilo de vida dos outros, evitam a vizinhança dos outros, impugnam os motivos dos outros, não conseguem digerir as fontes de notícias dos outros e trazem diferentes sistemas de valores para instituições fundamentais como religião, casamento e paternidade". Por aqui nomeou-se o fenômeno como Fla-Flu, mas é o mesmo fanatismo irracional (haverá algum fanatismo racional?) que assola todo o mundo, tomando como fonte de inspiração os mais diversos preconceitos. Embora não seja torcedor nem do Fla e nem do Flu, incomoda-me a nomenclatura, pois parece sugerir que todo torcedor de futebol é um idiota, isto é, aquele que só pensa em si mesmo e que desconsidera os outros.
Também o nosso Painel do Leitor parece contaminado por este mal, privilegiando as opiniões mais acirradas, e enviezadas pela desconsideração da opinião do outro. Talvez este espaço deva manter-se assim como está, mais acirrado, e o leitor mais comedido, que embora firme em suas crenças deixa espaço para a dúvida e para o contraditório, mereça um outro espaço, também de opinião, mas de opinião reflexiva. Poderia mesmo chamar-se "Painel da Reflexão do Leitor", evitando-se o termo 'opinião', que se refere à forma mais rasa de pensamento, normalmente desvinculado ou pobremente vinculado a fatos, e calcado em afetos pessoais, de origem muitas vezes sombria. Fica a sugestão.

17/02/2016
Talvez científica ou talvez um pouco encobridora a análise do Hélio Schwartsman - "Imaginando o pior". A lógica do texto não consegue esconder o que escapou, sem permissão do autor, isso é, a escolha da frase do Eduardo Paes e do próprio Eduardo Paes, logo no início da coluna. A crise na saúde pública do Rio de Janeiro dispensa comentários, e a 'zika' torna-se neste contexto, apenas mais um ingrediente improvável e certamente indesejável nas equações dos políticos e administradores, representados pelo prefeito do Rio de Janeiro. O que escapou foi a denúncia de que estas equações subvertem as prioridades, colocando a sobrevivência no cargo e a sobrevivência como possibilidade de outros cargos futuros, acima das necessidades e da sobrevivência das pessoas a quem deveriam servir. Escapou a denúncia de que não há planejamento ou prevenção, apenas reação ao temor maior, da perda do poder e da possibilidade de poder. Escapou a denúncia de que o que a incompetência esconde não é a falta de pensamento, mas o pior dos mundos, onde o sujeito pensa que pensa, guiado apenas pelo instinto dirigido ao momento, descartando o passado e desprezando o futuro.

18/02/2016
Decidi aceitar a provocação, sempre bem vinda, do Contardo Calligaris, em sua coluna "Desigualdade", na Folha de hoje. Sendo a pessoa sensível que é, seguramente compreende que o termo desigualdade, finalmente objeto de reflexão, não pretende contrapor-se à impossível igualdade plena. As pessoas são diferentes; os desejos são diferentes. Isso posto, tem-se que, de fato, a desigualdade é o maior problema de nosso tempo ( e também, provavelmente, de todos os tempos), em primeiro lugar, por ser "auto-alimentada"; num mundo onde a riqueza cresce desproporcionalmente ao crescimento populacional, para haver 'mega-ricos', haverá de existir a classe dos 'mega-pobres', o que concordamos todos ser uma iniquidade. Também os métodos de enriquecimento podem e devem ser questionados: a lei parece não atingir igualitariamente os ricos e os pobres; os primeiros tem informações privilegiadas, grandes advogados, o dito 'network' de amizades e relações, as heranças milionárias, as formas de proteção patrimonial, entre outras facilidades para o acúmulo e perpetuação do acúmulo de riqueza, enquanto os pobres, quando conseguem, tem apenas acesso à um serviço público no mais das vezes deficiente e insuficiente. Ainda, o descaso pela desigualdade ou seu oposto, do modo citado na coluna - efeito Facebook - parece-me correlacionar-se bem com o também citado desejo. Toleramos a desigualdade porque desejamos, alguns de nós ou muitos de nós, estarmos do lado 'certo' da equação, desfrutando sem impedimentos os benefícios da fortuna. Finalmente, concordo que o 'problema' maior é a pobreza, mas não há como deixar de assinalar que ela só existe porque a desigualdade (a desigualdade extrema) existe. 
Num mundo onde todos venham a ter a possibilidade (real) de acesso à educação, saúde, moradia, cultura, segurança, lazer, alimentação, água, equipamentos de saneamento básico e de convívio social, ainda haverá desigualdade, mas talvez se consiga a tal da 'vida boa' do Harry Frankfurt, ou de outro modo, extinguir-se-á a pobreza e ainda existirão os ricos. Não é utopia, é a Dinamarca, a Noruega, a Suécia, entre outros.

22/02/2016
Preocupa-me muitíssimo manchetes como a de hoje na Folha - "Delcídio ameaça entregar colegas caso seja cassado". Compreendo a função da manchete, mas uma tal como a de hoje coloca em risco a credibilidade do jornal. Vejamos o que diz a matéria:"'Se me cassarem, levo metade do Senado comigo', afirmou a interlocutores quando ainda estava preso". Os tais interlocutores não são nomeados e a ameaça, se é que existiu, de fato, pressupõe que o senador sabe de coisas no mínimo indecorosas - cassação por falta de decoro parlamentar. Se tem conhecimento delas, deveria falar independentemente de ser ou não cassado; se diz que sabe e não fala, deveria voltar para a prisão por obstrução da justiça, e ser cassado por falta de decoro - ameaçar colegas ou mentir; e, finalmente, se o jornal anuncia a ameaça desta forma, deveria nomear os tais interlocutores para que eles confirmassem ou negassem as 'ameaças', atendendo a princípio básico do jornalismo que é a confirmação de fontes. Ainda que as fontes desejassem permanecer anônimas, uma confirmação da veracidade das ameaças deveria ter ficado clara no texto da reportagem, respaldando assim a manchete do jornal.

22/02/2016
Meu caro Gregório, tudo o que você diz que um dia será estranho já é escandalosamente estranho. O mais estranho de tudo é tudo isso estar escancarado e a maioria das pessoas aparentemente não se dar conta de tanta estranheza.

29/02/2016
Muito pertinentes os artigos de Marcelo Rede e Manuel Palácios na Folha de hoje. Preocupante que se tenha, ainda que atabalhoadamente, cogitado suprimir  parte da história da civilização ocidental e do ensino de literatura nas etapass fundamental e média da formação de nossos estudantes. Ao contrario, dever-se-ia acrescentar a história dos africanos e dos indígenas, grande componente de nossa cultura, e também os grandes nomes da literatura classica e da filosofia, abrindo possibilidades e incrementando capacidades para toda uma geração. Fechar-se sobre si mesmo produz apenas idiotia.

07/03/2016
Sensacional a coluna do Duvivier - "Dúvidas de um ignorante". Sua releitura do "sei que nada sei" faz dele um jovem sábio, buscador de dúvidas, encontrador de incertezas; uma espécie de Diógenes, com sua lanterna, buscando um homem honesto.

11/03/2016
Prezado Sr Marcos Pereira, o Brasil não é um fracasso. O Brasil é um país de muitas contradições, ainda atrelado à uma confiança meio tola em personagens mágicos que resolvem com a caneta ou com balas de prata os problemas estruturais que nos afligem desde sempre. O Brasil não é um fracasso, mas é "desguiado" por uma elite política, esta sim, fracassada: não cumpre o que promete, não cumpre a lei, não serve ao povo, não serve a ninguém, exceto a si mesma, em conluio, como agora vemos e sempre suspeitamos, com uma elite empresarial tosca e também fracassada. O Brasil não é um fracasso. Fracassados são os empreendedores que não empreendem, que não atuam dentro das leis, que usurpam o bem público para auferir um sucesso irreal e ilegal. O Brasil não é um fracasso, mesmo com os índices que o senhor aponta e que muito nos envergonham, mas que são o fruto da política que não é política, da política que se faz apenas pela negociata vulgar.




Escrito por Gustavo A J Amarante às 16h27
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Refletindo

Lendo o jornal e suas manchetes, penso que talvez fosse um bom momento para relembrar Camus. O escritor e filósofo, prêmio Nobel de literatura, amigo e desafeto de Sartre a um só tempo, tinha como muito cara a dualidade 'liberdade e justiça'. Dizia que optar por uma das partes dessa dualidade implicava na perda da outra: assim ao se optar pela justiça perdia-se a liberdade, do mesmo modo que ao se optar pela liberdade haveria uma perda nas prerrogativas da justiça. O caminho da opção pelas duas coisas simultâneamente configuraria um processo mais difícil e árduo, porém preservando o que considerava serem os maiores ganhos da civilização.
Entre nós, a liberdade ainda que maior do que em épocas recentes, é desfigurada pelas votações secretas, pelas nomeações de apadrinhados sem méritos claros, pelas facilidades resultantes de dificuldades, enquanto a justiça distribui-se de modo iníquo entre ricos e pobres. Parece-me que Camus está mais atual hoje do que em sua própria época, ao menos nesses nossos tristes trópicos.



Escrito por Gustavo A J Amarante às 11h33
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05/10/2015

Eu gostaria de rir, mas não posso, da coluna de hoje do grande Clovis Rossi (Palhaçada, Mundo, 05/10/2015). A pobreza intelectual da nossa política me remete mais às lágrimas do que ao riso, mesmo se riso nervoso ou de angústia. Exemplo maior foi a substituição do ministro da educação e a do ministro da saúde: no primeiro caso, afastou-se um raro conhecedor de seu ofício para dar lugar à um amigo improvável e pouco afeito ao tema; no segundo, que quase desperta repulsa, o veredicto é dado por sua primeira fala, a fala da falta de idéias, a fala da mesmice cara-de-pau que só consegue ver no pensamento mágico do aumento de impostos uma solução do tipo panacéia. Fico a me lembrar do grande Lèvi-Strauss e sua sentença - "Os Tristes Trópicos".


07/10/2015

Eduardo e Dilma

Essa gente não sente vergonha? As evidências se acumulam e eles continuam presos a contos de bruxas.


09/10/2015

Em seu artigo "Uma proposta para a solvência do Estado" (Opinião, Tendências/Debates, 09/10/2015), Roberto Troster sugere que como grande implicado no déficit das contas públicas o governo deveria arcar com uma parte dos sacrifícios para a sua correção. Até aí tudo bem, não há do que discordar, mas embora com privilégios excessivos e extemporâneos, que deveriam ser combatidos, os funcionários federais não são propriamente o governo. Por outro lado, um ator fundamental nesta equação presentifica-se na figura dos bancos, públicos e privados, aparentemente sempre imunes às crises e sempre intocáveis quanto a assumir sua parcela de responsabilidade. Talvez fosse de bom tom incluir em seu plano uma maior taxação aos bancos e aos seus lucros trimestrais bilionários, o que com certeza cobriria com folga todo o déficit que nos assombra.


16/10/2015

Mudanças na FSP

Gosto de acreditar que não sou avesso a mudanças e que geralmente me adapto a elas com facilidade, mas esta mudança do acesso ao jornal ficou péssima. O índice era a página de rosto, o que facilitava a escolha dos temas a serem lidos; foi o que me motivou a abandonar o jornal impresso e ficar apenas com o jornal digital. Do jeito que ficou, talvez precise repensar o assunto.


31/10/2015

Os dois, Aloysio e Vladimir, são parte do pouco que resta de pensante neste país, mas escapou-lhes o óbvio: não precisamos de mais leis, precisamos aplicar universalmente as leis que temos.


01/11/2015

Muito forte a coluna do Antonio Prata nesta Folha, #primeiroassedio (Cotidiano, 01/11/2015). Me fez lembrar da Madame Aracy, professora de francês do Colégio São Luís nos anos 70, que visivelmente irritada com um comportamento inadequado de um grupo de meninos, eu entre eles, perguntou-me: "o senhor não tem mãe? o senhor não tem irmã?; deveria tratar as demais mulheres como gostaria que tratassem a sua mãe e a sua irmã." Fiquei muito envergonhado e aprendi minha lição. Acho que as perguntas são válidas para estes senhores do poder, real ou imaginário. Acho que devemos todos começar por um 'mea culpa'.
Em relação ao texto de Simone de Beauvoir, lindíssimo, e para os mais inquietos, também válido para os homens (Um homem não nasce homem, ele se faz homem), e as reações à ele, só posso crer que quem sentiu-se ofendido não leu o texto, ou se leu não o compreendeu.

05/11/2015

Mulheres

Gostaria de parabenizar a Folha de São Paulo e seus colunistas pela iniciativa relacionada ao "#AgoraÉqueSão Elas". A idéia é maravilhosa porque configura-se numa rara iniciativa civilizada e civilizadora num mundo que, confrontado com novos e velhos dilemas, parece deslizar perigosamente para fundamentalismos e obscurantismos que preferíamos desaparecidos de nossa vida cotidiana. Maravilhosa também por ecoar o grito de todas as mulheres: um grito que deveria ser doce, mas que está eivado de medo, de raiva, de inconformismo, de cansaço diante das mesmas injustiças, das mesmas iniquidades, das mesmas violências; e que se mostra, por outro lado, prenhe de coragem e disposição para dizer basta e para nos convidar a todos, homens e mulheres, para a reflexão.
Aproveito  para citar, uma vez mais nos dias correntes, Simone de Beauvoir - a mulher não nasce mulher, torna-se mulher - e afirmar que também o homem não nasce homem, faz-se homem, de acordo com sua capacidade de despir-se de preconceitos, de olhar o outro com respeito, de aceitar a diferença sem sentir-se ameaçado, de não acovardar-se diante dos fatos, os fatos como eles são, e conforme sua capacidade de amar. 

16/11/2015

Paris

Num mundo de incertezas é lamentável que alguns sejam tão cheios de certezas e tentem impor suas verdades aos outros.

02/12/2015

Impedimento da presidente Dilma

Não há o que celebrar! Ver um presidente eleito pelo voto popular ameaçado de perder o seu mandato, pelo voto de alguns, ainda que haja fundamento para tal perda, não é razão para alegria. É razão para tristeza e para reflexão. Dizem, a mais não poder, que o maior mal a assolar o nosso país é a corrupção; não é. O maior mal a nos roubar o futuro é a persistente desigualdade: donde surgem a violência, a exclusão, os fundamentalismos, os preconceitos e as misérias, de ricos e pobres; alimentada pela ganância, pela ambição desmedida, pela corrupção, pelo desapego à lei e pela ignorância do outro. A queda, possível, da Sra. Dilma, do mesmo modo que a do Sr. Eduardo Cunha e de outros próceres de nossa política, em nada vai mudar o quadro de iniquidade em que nos atolamos. A revolução francesa ainda não nos atingiu. Por aqui não há igualdade, liberdade e fraternidade. Aí está uma boa reflexão para todos nós que nos vestimos das cores francesas recentemente.

19/12/2015

Boulos et al

Guilherme Boulos, me parece, é mais um formador de opinião (Vai tarde, Opinião, 19/12/2015). É bom lembrar que a opinião é a forma mais rasa de raciocínio, geralmente baseada em impressões que guardam pouca ou nenhuma relação com fatos. Quando, então, a opinião tenta se calcar nos números da economia, tudo fica ainda pior, uma vez que estes números mais escondem do que revelam, tal como o enunciou, num raro e não intencional momento de sinceridade extrema, um ex-ministro - 'o que é bom a gente mostra e o que é ruim a gente esconde'; deveria ter se tornado um herói da pátria por sua honestidade, mas foi demitido.
Não está só o Guilherme, nem na questão dos números da economia, nem nos arroubos filosófico-sociológicos, sempre de alguma forma enviezados ideologicamente, e sem o mínimo de neutralidade que se espera de analistas que 'formam opinião'. Ele está, como de resto todos nós, órfão de pensamento e reflexão que atente aos fatos; os fatos enfatizados por Bertrand Russel, como eles são e não como gostaríamos que fossem.
Confesso ser essa também uma opinião, mas tenho em meu favor a leitura desapaixonada de todos os colunistas desta Folha, sem restrição ideológica. Para os menos atentos à língua, paixão vem de 'pathos', isto é, excesso.


Escrito por Gustavo A J Amarante às 17h27
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Insistindo

Continuo insistindo em dar a minha pequena contribuição para uma reflexão de nosso tempo e de nossa sociedade. Cartas para a FSP; não publicadas.

31/08/2015

A tirinha do Laerte hoje, 31/08/2015, é genial, é atual, é brutalmente humana. Diz respeito a todos nós, de algum modo, e assim, é um convite para reflexão.


09/09/2015

"Levy defende mais imposto, e Temer critica a proposta", Poder, 9/09/2015. Nem li a notícia, enojado que fiquei com a solução de sempre para a eterna mal-versação dos recursos públicos no Brasil. É o que temos: ausência de pensamento e resposta medular única - há problema, aumenta os impostos. Conter gastos, evitar desperdícios, cobrar de quem não paga (igrejas todas, por exemplo), coibir desvios, repatriar dinheiro ilegalmente mandado para fora, investigar enriquecimento inexplicável, nem pensar, porque afinal, não há pensamento, apenas a resposta medular de aumentar os impostos. Por fim, com tanto imposto pago, mesmo sem novo aumento, onde está o retorno social de toda esta tributação? Onde estão as escolas, os hospitais, o incentivo ao pequeno negócio, o investimento em  professores; onde está o nosso futuro que não chega nunca?


18/09/2015

Em "A crise como álibi", Ilustrada, 18/09, Vladimir Safatle acerta no atacado, mas erra no varejo. De fato a carga de impostos deveria obedecer uma lógica progressiva diferente da atual, onde os mais pobres são mais penalizados. Por outro lado, nem todos os ricos vivem "de renda"; muitos trabalham e trabalham muito duro para obter o sucesso que desfrutam. Assim, imposto progressivamente maior, conforme a renda, parece-me justo. Quanto a pagar pelos estragos da crise, julgo mais apropriado encontrar os responsáveis pelos desatinos e fazê-los pagar por seus mal-feitos.


25/09/2015

Interessante a análise do Hélio Schwartsman em "A crise e a galinha", Opinião, 25/09/2015. Concordo com a redução máxima possível do sofrimento das pessoas, e com a resultante falta de condições para as reformas necessárias. Mas vejo a falta de uma terceira escola realista, a escola legalista. Nesta abordagem, os erros seriam investigados com perseverança e transparência, os culpados de atos ilegais seriam punidos, os inocentes seguiriam suas vidas, os desvios seriam corrigidos e o que foi subtraído do estado, devolvido na forma da lei. Acho que sugiro uma utopia.


30/09/2015

Dizem os experts que para haver razão para o impedimento de um governante, há que se demonstrar que ele governa de costas para a constituição do país. Olhando para o que ocorreu hoje, com a demissão do ministro da educação e o leilão desavergonhado de outros ministérios, fico pensando que este governo está de costas para o país. Não seria este um motivo também plausível para o impedimento? É com grande tristeza que me dou conta de que este governo acabou, e de forma lamentável.

E umas palavrinhas no FB, em 02/10/2015

It makes no difference if it happens in Oregon or in Africa, or in Asia, or in Europe, or here amongst us: when people get killed by man's irracionality it feels like a brother has been killed; it feels like a son, a daughter, your wife, or mother or father or friend has been taken away from you. So sad… so sad… there are times when all you can feel is to feel sad.



Escrito por Gustavo A J Amarante às 18h37
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FSP on-line, 23/06/2015

Não há modo de não comentar as duas colunas espetaculares na forma e profundas no conteúdo, do Pondé, A linda transexual crucificada, e do Duvivier, Querido pastor, ambas na Ilustrada de 22/06. Elas falam de intransigência, de intolerância, de preconceito, de discursos que se anulam nas ações, de ignorância, de ódio e de medo. É paradoxal (será mesmo?) que o amor do discurso se transforme em violência e ódio nas ações. É ainda mais paradoxal, que em pleno século XXI, num Brasil repleto de graves problemas, enormes desigualdades e maiores desafios ainda, que gente "pensante" dedique tanta energia para desqualificar a escolha alheia. Quem vai para a cama com quem, é um tema privado, que não diz respeito à religião, e só diz respeito à política, quando esta deveria garantir as liberdades individuais de cada cidadão.



Escrito por Gustavo A J Amarante às 17h37
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FSP on-line, 16/06/2015

Acertou novamente o Vladimir Safatle, "O paradigma da representação", Opinião, nesta Folha de hoje. "Ma non troppo!". Concordo com a pertinência da pergunta "Onde todos nós estávamos?", mas creio que o mundo da direita/esquerda, como nos foi dado até agora, acabou. Na fluidez da contemporaneidade, acho que a pergunta deveria ser dirigida a todos os que acreditam, conforme autor que não sei nomear, que o bom governo é aquele que consegue construir instituições capazes de corrigir os erros que o próprio governo articulou e/ou executou. Creio também que a morte da direita/esquerda tradicionais se deve ao fato de estarem, ambas, e seus seguidores mais ferrenhos, perdidas numa cortina de fumaça de detalhes, alguns maiores e outros menores, que esconde os problemas reais da sociedade.



Escrito por Gustavo A J Amarante às 18h08
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FSP 10/06/2015

Finalmente temos no governo, ao menos uma pessoa que sabe do que fala e fala sobre o que sabe. O alento fica ainda maior quando esta pessoa é o ministro da educação, filósofo e professor de Ética. Quem sabe com suas ações/articulações, a tal Pátria Educadora de fato eduque e nos ponha no caminho do futuro que nunca parece chegar. Quem sabe sob sua regência, os professores voltem a ser considerados e respeitados como deveriam ser e como nunca deveriam ter deixado de ser; quem sabe se constituam como construtores de nações, como na citada Coréia, exemplo de revolução educacional. E, quem sabe ainda, construa-se um compromisso com os egressos de instituições públicas que permita que devolvam para a sociedade um pouco do que dela receberam.
Em meio a tantas paixões (pathos, excesso), o Professor Renato parece conseguir seguir seu próprio conselho e desapaixonar-se para poder ver mais claramente o que tem diante de si: a maior de nossas desigualdades, o abismo educacional que condena à um futuro incerto e sempre distante a promessa de futuro que sonhamos e desejamos.
Boa sorte Professor. Boa sorte Ministro.


Escrito por Gustavo A J Amarante às 22h34
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FSP - 03/06/2015

Era assim:
"Nem sempre concordo com o Vladimir Safatle, mas dessa vez ele acertou na mosca - O que podemos?, Opinião, hoje na Folha. Não sou expert em desenho político, mas a mesmice, a insistência nos mesmos erros e nas mesmas inconsistências, sob o manto do discurso do que é melhor para o país, chega a insultar qualquer inteligência mediana. Os de sempre legislando em causa própria, sem sequer o verniz da discrição, sem oferecer nada de novo, ainda que até possivelmente arriscado, para a nossa "democracia". Que democracia: uma em que a maioria não é ouvida e a minoria não é respeitada; uma em que o representante não representa ninguém, ou quase ninguém, senão a si mesmo e ao seu grupo. 
A coluna oferece uma alternativa legítima. Não sei se é a melhor, e nem sequer se é boa, mas é uma alternativa, onde parece não haver nenhuma. Parabéns ao  professor de filosofia no exercício pleno de sua missão de fazer pensar."

E ficou assim (bem melhor):
"Vladimir Safatle acertou na mosca (O que podemos?). Os de sempre legislam em causa própria, sem oferecer nada de novo à nossa "democracia", que é uma democracia na qual a maioria não é ouvida e a minoria não é respeitada, na qual o representante representa apenas a si mesmo e ao seu grupo. A coluna oferece uma alternativa legítima. Não sei se é a melhor nem se é boa, mas é uma alternativa que surge onde parece não haver nenhuma. Parabéns ao professor de filosofia no exercício pleno de sua missão de fazer pensar."


Escrito por Gustavo A J Amarante às 18h29
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Fundo partidário

18/04/2015

Este é o país e os políticos que temos: corte de verbas para saúde, educação, segurança, infra-estrutura, moradia, serviços públicos, entre outros; aumentos pífios de salários para professores, policiais, bombeiros, médicos e enfermeiras, funcionários de baixo escalão, também entre outros; falta de planejamento para tudo e para quase todos; e, tudo isso e mais, convivendo com aumentos de verba para "fundos partidários", para obras superfaturadas, para empreiteiras que não cumprem prazos, para juízes e políticos (auxílios diversos - só eles tem o salário para guardar e os auxílios para viver, com muito conforto). Nenhuma vergonha na cara, sempre contando com o analfabetismo funcional generalizado que presta atenção em bobagens e não se dá conta do estrago que eles fazem. Assim o nosso futuro brilhante fica cada vez mais distante, enquanto nos agredimos em torno do PT, do PSDB, do PMDB, etc, quase tudo a mesma coisa: interêsses pessoais e grupais em detrimento do coletivo, do país, do nosso esperado futuro que não chega.



Escrito por Gustavo A J Amarante às 15h46
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Drauzio

Drauzio Varella em 18/04/2015
Como sempre, impecável o Drauzio hoje (O sexo redefinido, Ilustrada). Cabe, no entanto, tecer algumas observações. Em primeiro lugar é imperioso constatar que a biologia confirma, com mais de cem anos de atraso, o que Sigmund Freud teorizou, calcado em suas observações, sobre o que chamou de bissexualidade inata. Esta persiste com maior ou menor grau de intensidade ao longo de toda a vida do sujeito, independentemente dos cromossomos, dos hormônios e, da cultura. Também há de se observar que o humano excede a biologia e a animalidade: não somos escravos dos instintos porque somos pulsionais, determinados pelas pulsões, com todas as vantagens e desvantagens desse desenvolvimento. Não cabe aqui uma longa diferenciação entre instinto e pulsão, mas simplisticamente, instinto tem meta e objeto definidos a priori, como saciar a fome (com alimento), o sexo (pela procriação) e, sobreviver (luta e fuga), enquanto a pulsão, mais complexa, não atende esses requisitos, visando apenas sua própria satisfação, independentemente de objeto. Assim, o "animal" pulsional pode saciar a fome ouvindo música, pode satisfazer-se sexualmente apenas observando, pode "sobreviver" até mesmo matando-se. No caso específico do gênero, das escolhas que não são exatamente escolhas, existe um universo infinito nos separando dos animais e das proteínas.
Em tempos de curas "milagrosas", de certezas que camuflam dúvidas, de coragem que esconde covardia e medo, os fatos como os podemos observar, ainda que apenas subjetivamente, são uma brisa reconfortante dentro do mal estar da civilização.
Tem razão o Drauzio ao recusar o binário obtuso. "Há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia", diria ainda antes de Freud, o poeta inglês.


Escrito por Gustavo A J Amarante às 17h14
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FSP

Não foram publicadas... pena.

01/03/2015

A entrevista "Ricos nutrem ódio ao PT, diz ex-ministro" (Poder, 01/03/2015) é uma coletânea de generalizações rasas, que talvez reflitam mais o pensamento do entrevistado do que o pensamento que ele crê estar descortinando. Além da sandice em forma de generalização, também contém o ingrediente principal de entrevistas de "ex", isto é, depois que saem dos seus cargos, como que por milagre, descobrem a solução de todos os problemas que não solucionaram enquanto os exerciam. O silêncio teria feito melhor pela biografia do entrevistado.

15/03/2015

Até agora, aparentemente, niguém se tocou: o Brasil aprendeu (espero) a se manifestar e está unido. Com pouco elogiosas excessões, tanto no dia 13 como no dia 15, de pedidos por retrocesso ou alguma outra insensatez, o que a maioria das camisas verde-amarelas e vermelhas pedia, era mudança política e combate à corrupção. Parece que todos nos cansamos de PT, PSDB, PMDB, PCdoB, etc, pelo menos do modo como todos operam, dentro deste sistema que favorece um arremedo de política, baseado na troca de "gentilezas", manutenção de privilégios, e surdez no que concerne à tal "voz rouca das ruas". Vejo que o Brasil cresceu com as duas manifestações e espero que os nossos representantes crescam na mesma proporção.
O Brasil só está dividido na cabeça oca de alguns poucos, a quem interessa esta divisão - "dividir para governar", e friso que não estou me referindo especificamente ao governo de plantão.

17/03/2015

Pacote anti-corrupção: fim dos cargos de confiança; fim das emendas parlamentares; fim do voto proporcional e das coligações; fim dos partidos que não são partidos (nem minimamente); fim das medidas provisórias (até porque nunca são provisórias); fim do excesso de ministérios e secretarias; fim dos auxílios paletó, transporte, telefone, moradia, etc. Já seria um bom começo.


Escrito por Gustavo A J Amarante às 17h02
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Cantareira

Continuo insistindo: carta de 24/02/2015, não publicada pela FSP:
O título da reportagem, "Principais represas do Cantareira têm devastação acima da média" (Cotidiano, 24/02/2015), é sintomático porque faz supor que há um nível aceitável de devastação; não há! Devastação é destruição e ruina, e para o que foi devastado, não existe compromisso aceitável que não a reconstituição "ad integrum", até onde isso for possível.
O estado, ainda que letárgico e paralizado por seus interesses pouco republicanos, recebeu um alerta, digamos climatológico, este ano e nos precedentes. Nada fez e colocou-nos a todos sob a realidade de um rodízio que ganhou a alcunha de "controle hídrico", um belo nome para a falta regular de água em nossas torneiras.
Há aqui a oportunidade de se corrigir rumos: recuperar mananciais, reflorestar as margens dos rios e represas, e porque não os parques e praças, desenterrar os rios da cidade, despoluir o Pinheiros e o Tietê, e por aí afora. Como na economia, todos sabemos o que precisa ser feito, resta saber quem terá a coragem e a visão para fazer acontecer. Ou continuaremos atolados nos eufemismos, nas promessas e nas declarações tresloucadas como a de um suposto diretor da SABESP que aconselhou os paulistanos a abandonar a cidade?


Escrito por Gustavo A J Amarante às 08h04
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Cartas FSP

18/02/2015

Era assim:

"Enquanto alguns (e são muitos), novamente, perdem o pouco que tem nas enxentes recorrentes de São Paulo, o prefeito mantém-se firme em suas prioridades distorcidas e pinta a cidade de vermelho, destruindo atabalhoadamente uma boa idéia pela via da falta de planejamento e da pressa "compreensível". Neste drama surgem alguns paradoxos: as ciclofaixas estão vazias e distribuem-se de modo "incompreensível", enquanto os alagados não tem água nas suas torneiras e vão receber uma conta de água mais salgada. Aí está uma justiça social muito injusta, um progresso retrógrado, uma prática que não devia mais ser praticada."

Ficou assim:

"Enquanto muitos perdem o pouco que têm nas enchentes de São Paulo, o prefeito Fernando Haddad mantém-se firme nas suas prioridades distorcidas e pinta a cidade de vermelho, destruindo atabalhoadamente uma boa ideia em razão da pressa e da falta de planejamento. As ciclovias estão vazias, enquanto os alagados não têm água na torneira. É um progresso retrógrado."



Escrito por Gustavo A J Amarante às 15h36
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