construindo o presente


05/10/2015

Eu gostaria de rir, mas não posso, da coluna de hoje do grande Clovis Rossi (Palhaçada, Mundo, 05/10/2015). A pobreza intelectual da nossa política me remete mais às lágrimas do que ao riso, mesmo se riso nervoso ou de angústia. Exemplo maior foi a substituição do ministro da educação e a do ministro da saúde: no primeiro caso, afastou-se um raro conhecedor de seu ofício para dar lugar à um amigo improvável e pouco afeito ao tema; no segundo, que quase desperta repulsa, o veredicto é dado por sua primeira fala, a fala da falta de idéias, a fala da mesmice cara-de-pau que só consegue ver no pensamento mágico do aumento de impostos uma solução do tipo panacéia. Fico a me lembrar do grande Lèvi-Strauss e sua sentença - "Os Tristes Trópicos".


07/10/2015

Eduardo e Dilma

Essa gente não sente vergonha? As evidências se acumulam e eles continuam presos a contos de bruxas.


09/10/2015

Em seu artigo "Uma proposta para a solvência do Estado" (Opinião, Tendências/Debates, 09/10/2015), Roberto Troster sugere que como grande implicado no déficit das contas públicas o governo deveria arcar com uma parte dos sacrifícios para a sua correção. Até aí tudo bem, não há do que discordar, mas embora com privilégios excessivos e extemporâneos, que deveriam ser combatidos, os funcionários federais não são propriamente o governo. Por outro lado, um ator fundamental nesta equação presentifica-se na figura dos bancos, públicos e privados, aparentemente sempre imunes às crises e sempre intocáveis quanto a assumir sua parcela de responsabilidade. Talvez fosse de bom tom incluir em seu plano uma maior taxação aos bancos e aos seus lucros trimestrais bilionários, o que com certeza cobriria com folga todo o déficit que nos assombra.


16/10/2015

Mudanças na FSP

Gosto de acreditar que não sou avesso a mudanças e que geralmente me adapto a elas com facilidade, mas esta mudança do acesso ao jornal ficou péssima. O índice era a página de rosto, o que facilitava a escolha dos temas a serem lidos; foi o que me motivou a abandonar o jornal impresso e ficar apenas com o jornal digital. Do jeito que ficou, talvez precise repensar o assunto.


31/10/2015

Os dois, Aloysio e Vladimir, são parte do pouco que resta de pensante neste país, mas escapou-lhes o óbvio: não precisamos de mais leis, precisamos aplicar universalmente as leis que temos.


01/11/2015

Muito forte a coluna do Antonio Prata nesta Folha, #primeiroassedio (Cotidiano, 01/11/2015). Me fez lembrar da Madame Aracy, professora de francês do Colégio São Luís nos anos 70, que visivelmente irritada com um comportamento inadequado de um grupo de meninos, eu entre eles, perguntou-me: "o senhor não tem mãe? o senhor não tem irmã?; deveria tratar as demais mulheres como gostaria que tratassem a sua mãe e a sua irmã." Fiquei muito envergonhado e aprendi minha lição. Acho que as perguntas são válidas para estes senhores do poder, real ou imaginário. Acho que devemos todos começar por um 'mea culpa'.
Em relação ao texto de Simone de Beauvoir, lindíssimo, e para os mais inquietos, também válido para os homens (Um homem não nasce homem, ele se faz homem), e as reações à ele, só posso crer que quem sentiu-se ofendido não leu o texto, ou se leu não o compreendeu.

05/11/2015

Mulheres

Gostaria de parabenizar a Folha de São Paulo e seus colunistas pela iniciativa relacionada ao "#AgoraÉqueSão Elas". A idéia é maravilhosa porque configura-se numa rara iniciativa civilizada e civilizadora num mundo que, confrontado com novos e velhos dilemas, parece deslizar perigosamente para fundamentalismos e obscurantismos que preferíamos desaparecidos de nossa vida cotidiana. Maravilhosa também por ecoar o grito de todas as mulheres: um grito que deveria ser doce, mas que está eivado de medo, de raiva, de inconformismo, de cansaço diante das mesmas injustiças, das mesmas iniquidades, das mesmas violências; e que se mostra, por outro lado, prenhe de coragem e disposição para dizer basta e para nos convidar a todos, homens e mulheres, para a reflexão.
Aproveito  para citar, uma vez mais nos dias correntes, Simone de Beauvoir - a mulher não nasce mulher, torna-se mulher - e afirmar que também o homem não nasce homem, faz-se homem, de acordo com sua capacidade de despir-se de preconceitos, de olhar o outro com respeito, de aceitar a diferença sem sentir-se ameaçado, de não acovardar-se diante dos fatos, os fatos como eles são, e conforme sua capacidade de amar. 

16/11/2015

Paris

Num mundo de incertezas é lamentável que alguns sejam tão cheios de certezas e tentem impor suas verdades aos outros.

02/12/2015

Impedimento da presidente Dilma

Não há o que celebrar! Ver um presidente eleito pelo voto popular ameaçado de perder o seu mandato, pelo voto de alguns, ainda que haja fundamento para tal perda, não é razão para alegria. É razão para tristeza e para reflexão. Dizem, a mais não poder, que o maior mal a assolar o nosso país é a corrupção; não é. O maior mal a nos roubar o futuro é a persistente desigualdade: donde surgem a violência, a exclusão, os fundamentalismos, os preconceitos e as misérias, de ricos e pobres; alimentada pela ganância, pela ambição desmedida, pela corrupção, pelo desapego à lei e pela ignorância do outro. A queda, possível, da Sra. Dilma, do mesmo modo que a do Sr. Eduardo Cunha e de outros próceres de nossa política, em nada vai mudar o quadro de iniquidade em que nos atolamos. A revolução francesa ainda não nos atingiu. Por aqui não há igualdade, liberdade e fraternidade. Aí está uma boa reflexão para todos nós que nos vestimos das cores francesas recentemente.

19/12/2015

Boulos et al

Guilherme Boulos, me parece, é mais um formador de opinião (Vai tarde, Opinião, 19/12/2015). É bom lembrar que a opinião é a forma mais rasa de raciocínio, geralmente baseada em impressões que guardam pouca ou nenhuma relação com fatos. Quando, então, a opinião tenta se calcar nos números da economia, tudo fica ainda pior, uma vez que estes números mais escondem do que revelam, tal como o enunciou, num raro e não intencional momento de sinceridade extrema, um ex-ministro - 'o que é bom a gente mostra e o que é ruim a gente esconde'; deveria ter se tornado um herói da pátria por sua honestidade, mas foi demitido.
Não está só o Guilherme, nem na questão dos números da economia, nem nos arroubos filosófico-sociológicos, sempre de alguma forma enviezados ideologicamente, e sem o mínimo de neutralidade que se espera de analistas que 'formam opinião'. Ele está, como de resto todos nós, órfão de pensamento e reflexão que atente aos fatos; os fatos enfatizados por Bertrand Russel, como eles são e não como gostaríamos que fossem.
Confesso ser essa também uma opinião, mas tenho em meu favor a leitura desapaixonada de todos os colunistas desta Folha, sem restrição ideológica. Para os menos atentos à língua, paixão vem de 'pathos', isto é, excesso.


Escrito por Gustavo A J Amarante às 17h27
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